Nesta segunda-feira (10), a Bombril entrou com pedido de recuperação judicial, após reconhecer que enfrenta riscos financeiros elevados devido a disputas tributárias e processos judiciais. A empresa tem dívidas de R$ 332,8 milhões, mas as autuações fiscais contestadas na Justiça podem chegar a R$ 2,3 bilhões. No recurso, a empresa protocolou o pedido alegando “contingências tributárias relevantes”.
O pedido foi protocolado na 1ª Vara Regional Empresarial de São Paulo, e, segundo a empresa, os problemas financeiros vêm de impostos supostamente não pagos em operações feitas entre 1998 e 2001, quando a Bombril era controlada pelo grupo italiano Cragnotti & Partners.
Na mesma semana, já na quarta-feira (12), a Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial e com o aval, todas as ações e execuções contra a empresa estão suspensas por 180 dias e os credores não podem fazer penhoras, arrestos ou apreensões de bens das empresas. Agora, a empresa deverá apresentar um plano de recuperação no prazo de até 60 dias.
Entre os principais credores da Bombril estão bancos e instituições financeiras, como Banco ABC Brasil, C6 Bank, Banco Daycoval e Tribanco.
Dívidas e impacto na empresa
Grande parte da dívida vem de investimentos em T-Bills, títulos do governo americano comprados com desconto e resgatados pelo valor total no vencimento. Além deles, a empresa menciona outros papéis financeiros que resultaram em autuações bilionárias da Receita Federal.
Embora a cobrança ainda não tenha sido feita, a Bombril já enfrenta penhoras sobre fábricas e maquinários em São Bernardo do Campo (SP), Sete Lagoas (MG) e Abreu e Lima (PE). Isso dificulta a captação de crédito e investimentos para manter as operações.
Diante disso, a empresa optou pela recuperação judicial para negociar com credores, reestruturar suas dívidas e garantir a continuidade dos negócios.
Histórico de dificuldades
Não é a primeira vez que a Bombril enfrenta problemas financeiros. Desde a morte do fundador Roberto Sampaio Ferreira, em 1981, a empresa passou por disputas entre controladores e chegou a ser vendida para o grupo italiano Cragnotti & Partners, em 1995.
No ano de 2003, a Bombril entrou em administração judicial após disputas envolvendo o herdeiro Ronaldo Sampaio Ferreira, que reassumiu a companhia em 2006. Nos anos seguintes, a empresa seguiu enfrentando dificuldades, chegando a ficar sem produtos nas prateleiras em 2013 e acumulando dívidas de R$ 900 milhões em 2015.
Agora, a Bombril busca uma solução para sua nova crise financeira, tentando manter sua operação e evitar impactos maiores no mercado.